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18 de dezembro de 2020

As novas oportunidades de negócio com o Pix

O Pix traz agilidade ao mercado de pagamentos, além de novas oportunidades de produtos e serviços bancários

As novas oportunidades de negócio com o Pix

O mercado de serviços financeiros já é um segmento que vem passando por uma ebulição de novos produtos e serviços. O Pix, o sistema de pagamentos instantâneo criado pelo Banco Central e que começou a funcionar em novembro, vai impulsionar ainda mais o setor.

“O Pix vai trazer uma nova trilha de pagamentos, com mais democratização, já que vai ser gratuito na ponta”, comenta Fabrício Winter, sócio e líder de projetos de consultoria da Boanerges & Cia.

Ambiente concentrado

Esse cenário de avanços no setor de pagamentos tem sido possível porque o regulador tem fomentado a inovação, trazendo discussões para o mercado, sendo firme também nos prazos que vem colocando.

Ainda que a desmaterialização do pagamento é algo que já vem acontecendo, existe uma série de forças que atuam no sentido contrário a esse avanço. “Ainda somos uma sociedade baseada no uso do dinheiro e a tecnologia ainda custa caro, envolve celular, e parte da população tem acesso restrito a um celular que dê conta disso”, diz Fabrício. “Mesmo quem tem acesso a celular, e são 130 milhões de usuários de WhatsApp no Brasil, as pessoas ainda usam só para áudio, não é uma pessoa habilidosa para usar outras funcionalidades, há dificuldade de fazer cadastro.”

Tudo isso, junto com o fato de o Brasil ainda ter um ambiente de mercado concentrado nos grandes bancos dificulta o avanço do setor. “A concentração dos bancos vem mudando em alguns nichos, mas esses bancos têm o poder de frear o desenvolvimento do mercado”, aponta o executivo.

Estímulo da competição e inovação com o Pix

Nesse ambiente, Fabrício questiona os participantes do Whow Festival de Inovação 2020 sobre como o Pix vai impactar o mercado de meios de pagamento e quais as oportunidades geradas com o novo sistema.

Para Felipe Park, CFO da Spin Pay, uma plataforma que traz inovação nos serviços financeiros e permite uma nova experiência de compra no varejo on-line, o Pix vai ser transformador para o e-commerce, levando inclusão financeira e nova experiência de compra, que hoje é limitada no mundo digital. “Hoje, o varejo on-line oferece majoritariamente o cartão de crédito e o boleto. O débito tem pouca aderência. Acredito que o Pix vai mudar isso.”

Do ponto de vista de exploração de novos negócios e oportunidades, Felipe acredita que, como o novo meio de pagamento digital vai trazer redução de custos, porque ele traz maior eficiência no processo inteiro e causa desintermediação da cadeia, assim vão existir oportunidades. “Hoje os processos de pagamento são limitados por valor e tempo. O Pix causa disrupção no processo todo, por ser instantâneo, ilimitado e 24 x 7”, afirma.

“Quando a gente fala de gratuidade e redução de custos, a gente acredita que o Banco Central quer fomentar a inovação no mercado.” - Felipe Park, CFO da Spin Pay

Por isso o BC estabeleceu gratuidade no Pix de pessoa física para pessoa física, e para pessoa jurídica estabeleceu que a precificação é livre. “A gente acredita que vão florescer os modelos de negócio que levem valor para a cadeia e para o cliente, com maior eficiência e redução de custos”, diz o CFO da Spin Pay. “Acredito que o mercado vai se autoajustar em relação a esse custo, porque o Banco Central quer estimular a competição e a inovação.”

Desdobramentos para o varejo

Para Pablo Silva, head de produto da Vindi, uma plataforma de gestão de pagamentos voltada para recorrência, o Pix é uma tendência que veio para ficar. A Vindi pretende colocar o Pix como mais um método de pagamento.

“A Vindi é B2B, e por isso deve usar mais o QR Code e chaves aleatórias”, conta. “A gente vê o Pix como uma oportunidade de que o cliente, na ponta, possa vender com menos fricção e com mais liquidez, diante da rapidez da transação.”

Ele ainda diz que o boleto de pagamentos, algo ainda muito comum no Brasil, “é um negócio que você não acha muito fácil em outro lugar do mundo”. “O brasileiro vive para pagar boleto”, brinca. Ele diz que muitos dos clientes da fintech usam boletos para cobrar clientes na recorrência, e isso tem uma certa fricção, porque é preciso enviar o boleto, esperar o cliente receber e pagar. “Com o Pix, isso vai acontecer em segundos. Ao receber a cobrança de uma plataforma recorrente como a Vindi, o cliente vai escanear com o celular e pagar”, diz.

Além disso, o head de produto da Vindi destaca outro ponto positivo do Pix. “Ao olhar para o varejo, tem um aspecto de transformação profunda no estoque”, afirma. Isso porque, hoje, quando o cliente emite um boleto para algo que ele compra, o varejista tem que reservar o produto no estoque até que o boleto seja pago. “Se o usuário parar de pagar boleto e usar o Pix, o lojista não precisará mais reservar no estoque, porque terá certeza da venda.”

A importância da experiência do cliente

Outro ponto é o custo. Pablo comenta que, hoje, boletos são emitidos por R$ 3 ou R$ 4 no mercado. “Claro que o Pix terá um custo, tem um risco de fraude, que sempre vai existir, é difícil eliminar isso, mas não sei se fará sentido cobrar R$ 3 por um Pix”, afirma.

O executivo comenta ainda sobre a importância da experiência com o Pix ser positiva para o novo sistema de pagamentos realmente deslanchar.

“A experiência do usuário é relevante, porque ele tem que ver valor na nova experiência e parar de ver valor no boleto. Não tem como crescer um arranjo de pagamento se as pessoas não confiarem nele.” - Pablo Silva, head de produto da Vindi

Fabrício complementa: “É tudo muito bonito na teoria, mas tem que ver como vai se refletir de fato na experiência do usuário. Para decolar, a experiência tem que ser boa nas duas pontas, para quem está pagando e para quem está recebendo.”

Dgeison de Lucca, CTO do Bexs Banco, um banco totalmente dedicado a operações cambiais, diz que o Pix faz total sentido dentro do olhar que a empresa já tem de trazer ainda mais agilidade e flexibilidade ao transferir um recurso. “Se você pode fazer isso escaneando um QR Code ou usando a chave Pix, isso simplifica a experiência de quem usa o serviço”, diz.

Para ele, a curva de aprendizado deve ser acelerada e vai ajudar a dar mais fluidez e qualidade ao pagamento no Brasil.

Fonte:
Whow
Autor:
por Adriana Fonseca
Publicado em:
11 de novembro de 2020

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