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28 de setembro de 2020

Especial metodologias ágeis: como aplicar e não errar mais

Descubra como as metodologias ágeis estão revolucionando os negócios das empresas no Brasil, muito além do digital

Especial metodologias ágeis: como aplicar e não errar mais

As metodologias ágeis caíram nas graças de muitos executivos. Com a promessa de assertividade, flexibilidade e economia de tempo, as estratégias que começaram a ser usadas por empresas de tecnologia e startups hoje estão invadindo os mais diversos setores.

Na prática, o conceito se traduz em uma série de ferramentas que facilitam a inovação dentro das companhias. Os resultados vão da melhoria de processos internos ao lançamento em tempo recorde dos mais diversos produtos e serviços. Em um mundo em que a transformação tecnológica, a efemeridade das novidades, a participação e a exigência do consumidor estão cada vez mais presentes, isso pode significar a sobrevivência de um negócio.

A prova bem-sucedida da adoção do agile está no Next. A criação do zero, pelo Bradesco, de um banco 100% digital no tempo recorde de 18 meses só foi possível graças à metodologia, que estava presente desde a concepção do projeto.

“Sabíamos desde o princípio que era a chave para o sucesso. Iniciamos com a formação de um núcleo de pessoas com conhecimento e ‘aptidão para o novo’. Elas tinham como missão, juntamente com parceiros com grande experiência no tema, replicar a maturidade e maximizar a transformação necessária para criarmos algo 100% digital, gerando processos e novos negócios de uma forma inovadora, inclusive para nós mesmos.”, afirma Jolivan Galvão, head de TI do Next.

O sucesso das metodologias ágeis não é de hoje

Em 2016 a Coleman Parkes a pedido da empresa de softwares CA Technologies, realizou um estudo sobre transformação digital com 1.770 executivos de 21 países, incluindo 76 brasileiros. A pesquisa concluiu que 89% dos entrevistados já utilizavam metodologias ágeis, sendo 33% em nível avançado e 56% em nível básico. Mais tarde, em 2017, um outro estudo realizado pela PwC identificou que os projetos que utilizavam o agile nas empresas eram 28% mais bem-sucedidos que os realizados em métodos tradicionais.

Os motivos para tanta adesão nos últimos anos são vários. Em meio a um turbilhão de constantes transformações no mercado, dificuldades para o desenvolvimento de processos sustentáveis e duradouros surgiram. Entre elas o posicionamento do cliente no centro da tomada de decisões como indivíduo único e não em massa, as plataformas de atendimento omnichanel e a jornada de digitalização dos processos.

Para Mário Fioretti, diretor de Projetos Especiais da QuesttoNó, o propósito das metodologias ágeis é justamente criar um ambiente favorável para o avanço de projetos complexos como os citados acima. “Projetos assim costumavam requerer o envolvimento de muitas pessoas com competências diferentes, buscando objetivos que não faziam parte da rotina da empresa e que, muitas vezes, necessitavam de aportes financeiros importantes, costumava-se levar meses ou anos de trabalho”, explica.

“O fator risco era um obstáculo tão grande na visão dos acionistas, que acabava impedindo as empresas de se lançarem em iniciativas inovadoras. Era inviável investir mais tempo e dinheiro em projetos complexos para no fim ver que não funcionavam como planejado. Assim, as metodologias ágeis nascem para reduzir tempo e risco do projeto, aumentando a chance de sucesso – ou pelo menos a de avançar nas informações que ajudam a definir o futuro da iniciativa”, complementa.

Mais do que um método, uma transformação cultural

No entanto, passar dos processos complexos e custosos para as metodologias ágeis não é uma tarefa fácil em muitas corporações, especialmente, aquelas da economia tradicional. A implementação do agile não se estabelece na simples adoção de um ou mais métodos de trabalho, mas em uma mudança que permeia todo o comportamento da empresa e colaboradores, quebrando mecanismos antigos e movimentando zonas de conforto.

Marcio Drumond, diretor de P&D Tecnologia do PagSeguro PagBank, acredita que uma transformação cultural bem-sucedida inclui a aplicação do método científico no dia a dia e está associada a uma mudança cultural que passa também pelos decisores da empresa ou instituição.

“Na realidade, se os decisores não tiverem abertura para entender que, para lidar com transformações complexas, é preciso passar por abordagens empíricas assim, a transformação digital ficará fadada ao fracasso.” - Marcio Drumond, diretor de P&D Tecnologia do PagSeguro PagBank

“Ou no máximo acontecerão algumas transformações que trarão algumas melhorias locais, mas com grande desperdício para a empresa/instituição como um todo”, completa.

Na Vivo, que é uma empresa que precisou se adaptar às tecnologias e novos métodos de trabalho, a cultura foi fundamental e permitiu criar soluções que geraram valor de forma efetiva ao cliente na área de e-care da empresa. “Entendemos que a mudança cultural é o principal desafio da transformação digital, por isso, desenvolvemos uma cultura de trabalho digital […] A Aura, inteligência artificial da Vivo, é um dos projetos que surgiu do trabalho no modelo de squads”, relata Carla Beltrão, diretora E-Care da Vivo.

Mentalidade natural das startups

á para as startups, com é o caso do C6, a inserção do mindset ágil foi algo que aconteceu naturalmente. “O fato de criarmos o nosso negócio do zero ajudou nessa tarefa. Quem vem trabalhar conosco já entende, logo no início, que a cultura ágil faz parte da nossa identidade. Os desafios existem, claro. A mentalidade ágil parte do princípio de que ajustes no meio do processo são bem-vindos. Ela aceita que há melhorias que podem ser feitas na próxima entrega do produto e lida bem com isso. Aceitar incertezas, no entanto, é desafiador para muitas pessoas. Pense que a mentalidade de trabalho tradicional não lida bem com as incertezas. No ágil, falhar faz parte do dia a dia. Portanto, todos nós temos o exercício diário de renovar a nossa mentalidade”, relata Gustavo Torres, head de inovação do C6 Bank.

A cultura ágil projeta valores que vão além da celeridade dos processos, cumprimento de metas e finalização de trabalhos. Ela estabelece confiança, comunicação, transparência, empoderamento, liberdade, responsabilidade e interação entre os membros da equipe.

“Você precisa se acostumar com uma nova maneira de pensar e agir. Uma vez acostumadas, as equipes experimentam maior produtividade”, conta Kiko Campos, general manager na Waggl Brasil.

“O pensamento ágil e de design valoriza as pessoas sobre os processos. As organizações precisam alocar as pessoas certas para os projetos. Elas também devem garantir a compatibilidade cultural entre as equipes e a maneira como as metodologias ágeis funcionam.” - Kiko Campos, general manager na Waggl Brasil

Fonte:
Whow
Autor:
Aline Barbosa e Júlia Mariotti
Publicado em:
18 de setembro de 2020

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